6.2.15

A crise amazônica

Capa do Livro O Futuro Climático da Amazônia.
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Livro explica com clareza, simplicidade, poesia e rigor científico porque a conservação e restauração da floresta amazônica é essencial para o Brasil


Por Ronaldo Weigand Jr. 

Não se trata mais da importância da Amazônia para o mundo. Não se trata de algo que um dia pode acontecer. A crise chegou, agora. Todos temos a ver com ela. E não adianta se fingir de idiota, de alienado, de desenvolvimentista. Não estamos falando de admirar borboletas nem de abraçar árvores. Trata-se da mais grave crise que ameaça o futuro do Brasil.


Esta é a mensagem que se tira do livro O Futuro Climático da Amazônia, de Antonio Donato Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Nobre fez uma revisão dos principais estudos sobre a relação entre o clima e a Amazônia e consolida uma visão holística do tema, em linguagem simples, muitas vezes poética e com apoio em metáforas que ajudam mesmo o público leigo a entender a questão. Como fazia Carl Sagan sobre o Cosmos, Antônio Nobre nos leva a viajar para a Amazônia, sua nanotecnologia e seus imensos processos de rios e lagos voadores.

O argumento do autor é desenvolvido em torno de cinco “segredos”:

1. A floresta, por meio da transpiração das árvores, transfere para o interior do continente imensas quantidades de umidade, que sem ela lá não chegariam.

2. Substâncias voláteis precursoras de sementes de condensação do vapor d’água são emitidas pelas árvores, causando a nucleação de nuvens que resulta em chuvas fartas e benignas.

3. A floresta íntegra é capaz de sobreviver a mudanças climáticas intensas, pois cria seu próprio clima por meio da evapotranspiração e da “bomba biótica”. A bomba biótica é um processo gerado pela floresta ao evaporar grandes quantidades de água e, ao mesmo tempo, provocar chuvas intensas por meio da nucleação de nuvens. Esse processo suga o ar das regiões vizinhas, especialmente o ar úmido sobre os oceanos, trazendo mais umidade e mantendo o processo. Estudos sugerem que a floresta de fato responde às condições mais secas devido a causas externas pelo aumento da transpiração, que compensa, por meio da bomba biótica, a redução da umidade. Sem essa bomba biótica, a Amazônia poderia não somente se converter numa savana, como alguns modelos propõem, mas perder toda a umidade e se tornar um deserto. Isso aconteceria no caso de o ar ser sugado da Amazônia para o oceano, algo que o autor argumenta que pode acontecer na ausência da floresta.

4. A floresta amazônica não somente mantém o ar úmido para si mesma. Ela exporta essa umidade na forma de “rios aéreos de vapor que, transportam a água para as chuvas fartas que irrigam regiões distantes no verão hemisférico”. Sem essa contribuição, essas regiões, localizadas nas latitudes em que ocorrem desertos em outros continentes, poderão ter o mesmo destino na América do Sul.

5. A floresta, por meio de sua superfície rugosa e da bomba biótica, que acelera o deslocamento lateral do ar sobre o continente, impede a ocorrência de furacões sobre a América do Sul.

Mesmo com a mudança climática global, argumenta o autor, a floresta saberia se virar, transpirando mais, crescendo mais, fazendo condensar mais chuvas e sugando mais umidade do oceano. O problema somos nós, brasileiros, que estamos em guerra com a floresta. Milhões de nós que estão lá, desmatando, ou comprando produtos de lá, produzidos com desmatamento, ou que votaram em políticos que enfraquecem a legislação ambiental, ou que não entendem a verdadeira urgência. Em guerra contra o futuro do Brasil.

É a crise amazônica. Maior que a crise da água, do petróleo, da política. A crise amazônia poderá transformar o interior do Brasil num deserto, sobrando uma franja de umidade na costa. Algo parecido com a Austrália.

O desmatamento acumulado já alcança 762.979 km2, equivalente a três estados de São Paulo, ou duas Alemanhas ou dois Japões.

Nos últimos 40 anos, mais de 1.000.000.000 de árvores foram cortadas ao ano; quase 3.000.000 ao dia; mais de 120.000 por hora; mais de 2000 por minuto; e 34 por segundo. Está na hora de parar, diz o autor.

Só parar, não. Está na hora de replantar. Sem a recuperação da floresta, nosso futuro está em perigo. Ele convoca a todos a espalhar essa mensagem. É o começo. Estou fazendo a minha parte.

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Referência: 

NOBRE, A. D. O Futuro Climático da Amazônia: Relatório de Avaliação Científica. São José dos Campos: Articulação Regional Amazônica, 2014. Disponível em: <http://d2ouvy59p0dg6k.cloudfront.net/downloads/o_futuro_climatico_da_amazonia_versao_final_para_lima.pdf>. Acesso em: 2 fev. 2015.

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